Semana passada durante o 4G/5G Summit em Hong Kong, eu, Paulo Montenegro, tive a oportunidade de entrevistar brevemente o Rafael Steinhauser, presidente da Qualcomm America Latina.

Durante nossa conversa, ele expôs diversos pontos interessantes sobre a tecnologia e suas possibilidades, não só em nosso país como também ao redor do mundo. Minha entrevista começou com uma pergunta bem clássica:

Qual o maior desafio trazendo 5G para a América Latina?

– Estamos geralmente atrasados em relação à tecnologia. Enquanto falamos aqui de 5G, no Brasil ainda existem milhões de pessoas com acesso apenas ao 2G, que por incrível que pareça, assim como o 3G, ainda é comercializado em nosso mercado, enquanto ao redor do mundo não mais.

– Ano passado 160 milhões de linhas foram vendidas na América Latina, dos quais 26 milhões foram 2G. Esse atraso é, em parte, atribuído às operadoras, pois para elas, ainda é mais barato trabalhar com tecnologia obsoleta.

– Temos atualmente no Brasil aparelhos 4G sendo vendidos por preços abaixo de US$56, então, não faz mais sentido comercializar 2G e 3G.

– Quando o 3G surgiu, a proposta era diferente, pois não existia tanto uso de serviços de streaming ou YouTube, algo que é nossa realidade atualmente.

Após isso, Steinhauser discorreu um pouco sobre as possibilidades das novas redes 4.9G e 5G, e como elas poderão ajudar o mundo.

– Com a evolução do 4G para o Gigabit LTE, a indústria sofrerá uma grande mudança,pois não haverá mais necessidade para armazenamento local, , vendo que a velocidade de acesso à nuvem será basicamente a mesma, devido à baixa latência.

– O Gigabit LTE também fará com que a evolução da Internet das Coisas seja inevitável. Um exemplo de ótima oportunidade de uso será na área da saúde, com dispositivos conectados que podem nos ajudar a, por exemplo, prevenir ataques cardíacos.

– Graças à baixa latência, também poderemos empregá-lo em situações de emergência como, por exemplo, controle de incêndios ou cirurgias remotas. Outro uso em potencial será na área da agricultura e pecuária, para monitorar a necessidade do gado.

E no Brasil?

– Já existem algumas empresas dando entrata no registro do LTE-U no Brasil, ou seja, é apenas uma questão de tempo até tudo acontecer.

O 5G é outra história, pois ele traz um tipo de espectro completamente diferente, que necessita de outro tipo de estrutura. Já estamos trabalhando no desenvolvimento ativo do 5G com a ANATEL, no processo de escolha e homologação de bandas, inclusive, aquelas acima do 5 GHz.

Estamos experimentando novas tecnologias.

Cidades Inteligentes

Rafael comentou que a chegada da conexão móvel em alta velocidade poderá dar início ao surgimento de cidades inteligentes, capazes de controlar melhor seu tráfego, monitorar a qualidade do ar, índices de criminalidade, dentre vários outros.

Quando paramos pra pensar que os carros autônomos já são, inevitavelmente, uma realidade que chegará nos próximos anos, aliados à semáforos conectados, câmeras de segurança sempre ativas e faixas de pedestre e ciclovias capazes de enviar informações aos veículos em tempo real, as possibilidades são gigantescas.

Redução de gastos

Para concluir, Rafael retificou que a implementação das tecnologias móveis de alta velocidade também poderá ajudar na redução dos gastos, dinamizando o atendimento em bancos e agilizando processos relacionados a órgãos governamentais.

Com a informação cada vez mais à mão dos usuários, atendentes teriam cada vez menos trabalho (se for o caso, até algumas posições poderiam ser extintas devido à sua redundância).

Evolução natural

De acordo com Roberto Medeiros, Diretor de Desenvolvimento de Produtos da Qualcomm, a firma já tem parceria com algumas operadoras no Brasil para testar a Agregação de Operadoras (Carrier Aggregation), que possibilita o uso de várias bandas simultaneamente, melhorando a velocidade de transferência de dados.

Entretanto, para chegarmos a utilizar tecnologias mais modernas como, por exemplo, o LTE-U (4.9G) ou 5G, primeiro é necessário se comprometer ativamente com o desenvolvimento do 4G, e naturalmente, deixar de lado tecnologias mais antigas como o 2G e 3G.

 

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